quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Monólogo "do filme" Tempos de paz

Ai de mim! Ai pobre de mim!
Que pergunto a Deus para entender.
Que crime cometi contra Vós?
Pois se nasci, entendo já o crime que cometi.
Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor.
Pois o crime maior do homem é ter nascido!
Para maiores cuidados, só queria saber que crimes cometi contra Vós, além do crime de nascer.
Não nasceram outros também?
Pois se outros nasceram, que privilégios tiveram que eu jamais gozei?
Nasce uma ave, e é embelezada por seus ricos enfeites.
Não passa de flor de plumas, ramalhete alado, quando veloz cortando os salões aéreos recusa piedade ao ninho que abandona em paz.
E eu, tendo mais instinto, tenho menos liberdade?
Nasce uma fera, com uma pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas. Logo, atrevida, feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade!
Monstro de seu labirinto!
E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce um peixe, aborto de ovas e lodo, enfeita um barco de escamas sobre as ondas.
Ele gira, gira, por toda a parte, exibindo a imensa liberdade que lhe dá um coração frio!
E eu, tendo mais escolha, tenho menos liberdade?
Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente, de repente. Entre flores ele se esconde, e como músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto á sua fuga!
E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade?
Assim, assim, chegando a esta paixão um vulcão, qual Etna, quisera arrancar do peito pedaços do coração!
Que lei, justiça ou razão pode recusar aos homens privilégios tão suaves e sensação tão única!
Que Deus deu a um cristão, a um peixe, a uma fera, a uma ave?

(La vida es sueño, ato I, cena I – Pedro Calderón de la Barca – 1600-1681)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Falsa Crise do Sistema de Seguridade Social no Brasil: uma análise financeira do período 1990 – 2005

Este artigo vale a pena ser lido e analisado. Ele esclarece de certa forma a manipulação de informações que são transmitidas pelo governo.

A professora do Instituto de Economia da UFRJ de forma clara e sucinta expõe a realidade sobre o nosso Sistema de Seguridade Nacional.

Entre no link a baixo e confira o que ela diz sobre o assunto.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Novo Código Penal deve ir a Plenário em junho, diz Eunício


O projeto do novo Código Penal (PLS 236/2012) deve ir a votação no Plenário do Senado em junho. A previsão é do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente de comissão especial de senadores responsável por examinar a proposta, elaborada por um grupo de juristas nomeado pelo presidente José Sarney.
Segundo Eunício, a comissão de senadores vai realizar audiências públicas nos estados em março e abril, de forma a concluir os trabalhos até o fim de maio, para que a proposta seja enviada ao Plenário no início de junho.
A sugestão para a elaboração de um projeto de reforma do Código Penal, vigente há 70 anos, foi do senador Pedro Taques (PDT-MT), agora relator da comissão especial composta por 11 senadores.
De acordo com Eunício, o texto já recebeu mais de 30 mil sugestões, principalmente de organizações da sociedade civil e de entidades da área jurídica. Também os senadores têm feito sugestões: já foram protocoladas mais de 350 emendas, mas o número deve aumentar, uma vez que o prazo será reaberto em fevereiro.
– Em fevereiro também vamos divulgar o calendário para as audiências públicas que realizaremos nos estados. Queremos debater amplamente as propostas e construir um texto que represente a média do pensamento do Brasil. O Código Penal precisa ser modernizado e unificado, mas precisamos fazer isso ouvindo a sociedade e levando em conta as sugestões – disse o senador, ressaltando que “extremismos" como a pena de morte” não devem ser incluídos.
O senador pelo Ceará também destacou pesquisa realizada pelo DataSenado, que coletou opiniões úteis para o trabalho da comissão especial, apontando por exemplo uma rejeição à proposta de liberação das drogas para consumo próprio.
A reforma do Código Penal reúne temas controversos, como a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal e novas hipóteses de aborto legal, o que já ocorre em caso de risco de vida para a gestante ou quando a gravidez decorre de estupro.
Para o relator, Pedro Taques, esses e todos os outros temas relacionados ao código devem ser debatidos “com cautela e pelo tempo que for necessário”.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2013/01/03/novo-codigo-penal-deve-ir-a-plenario-em-junho-diz-eunicio

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os buracos do espelho - Arnaldo Antunes

Os buracos do espelho
Arnaldo Antunes
O Globo: 27/07/2009

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

http://www.arnaldoantunes.com.br/new/sec_textos_list.php

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Catar Feijão - ex. de metalinguagem

O poema de João Cabral de Melo Neto é um exemplo de metalinguagem. O poema - uma linguagem escrita - se refere a palavras e a escrita. Leia o poema e reflita.

Catar feijão

1.
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

João Cabral de Melo Neto, 1965

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CHICO BUARQUE - CONTRUÇÃO

Em 2001, o jornal Folha de S.Paulo, em uma enquete realizada com 214 votantes (entre jornalistas, músicos e artistas do Brasil), elegeu "Construção" como a segunda melhor canção brasileira de todos os tempos - atrás de Águas de Março, de Tom Jobim.[10] Já em uma eleição, em 2009, promovida pela versão brasileira da revista Rolling Stone, "Construção" foi eleita a melhor canção brasileira de todos os tempos.

Construção é uma canção do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque, lançada em1971 para seu álbum homônimo. Junto com "Pedro Pedreiro", é considerada uma das canções mais emblemáticas da vertente crítica do compositor, "podendo-se enquadrar como um testemunho doloroso das relações aviltantes entre o capital e o trabalho".[1]

A letra foi composta em versos dodecassílabos, que sempre terminam numa palavra proparoxítona. Os 17 versos da primeira parte (quatro quartetos, acrescidos de um verso-desfecho) são praticamente os mesmos dezessete que compõem a segunda parte, mudando apenas a última palavra.[2] Os arranjos são do maestro Rogério Duprat, em uma melodia repetitiva, desenvolvida apenas sobre dois acordes.

A canção foi feita em um dos períodos mais severos da ditadura militar no Brasil, em meio à censura e à perseguições políticas. Chico Buarque havia retornado da Itália em março de1970, país onde vivia desde o início de 1969, ao tomar distância voluntária da repressão política brasileira.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Constru%C3%A7%C3%A3o_(can%C3%A7%C3%A3o)




Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, Deus lhe pague

sábado, 28 de abril de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Fotografia - Magnífica


Frase do Dia - Culpa sua


Há coisas que dizem sobre você que mudam sua vida pra sempre.
Destrói sonhos e planos como se fossem de areia.
E por fim, a mentira que dita mil vezes se tornou uma verdade, virou culpa sua.
- M. Thalita

Tirinha - Velha Ju(stiça)


É possível haver mudança na rota do Brasil?


               O Brasil, desde seus primórdios, foi construído em uma base de alienação e desigualdade social. O Rico e o escravo, o dono e o estrangeiro. Suas bases foram moldadas de forma que sempre houvesse uma alienação de grande parte da população, para melhor controle da mesma, e grandes lucros aos mandantes já ricos.
            Não havia produção de livros, ou escolas e muito menos bibliotecas. A educação que ainda era passada em sua mínima performance só alcançava os canonizados e já cristãos. Os negros, os quais não eram alvo de canonização, se limitavam a escravidão física e intelectual.
            Com a abolição da escravatura, o negro se viu perdido e ignorante em meio a uma sociedade que privava os tais de qualquer contato religioso, educacional ou profissional. Já que nova mão de obra estava sendo contratada do estrangeiro, que também começaria a sofrer com o abandono intelectual, pois somente alcançava os ricos e mais abastados.
            Com essa formação, grosso modo descrita, de um país tão grande, e hoje, influente em meio à economia mundial, observamos nos dias atuais uma conseqüência e continuidade da mentalidade retrograda e provinciana dos séculos iniciais do nosso país.
            Mas será possível, haver uma mudança nestes trilhos tão disformes?
            Ao analisarmos as mudanças políticas nos séculos passados observamos que através de poucos houve mudanças drásticas em sistemas políticos. Pensadores e pessoas de coragem e intelecto levaram nações a revoluções que refletem em nossa sociedade atual.
            O sistema em que vivemos nos leva a observar uma distancia tão grande entre a política, o intelecto e o cidadão, que paramos para pensar se há a possibilidade de mudança. A história é feita de mudanças, e são elas que fazem e fizeram as nações que hoje conhecemos. Esta alienação é que impede a nossa nação de mudança, este conformismo geral leva a nação brasileira e a outras deixar de lutar e ser democrático, largando as rédeas soltas, “já que o cavalo soltou, deixe que vá”.
            O brasileiro tem por dever e direito lutar para a mudança de sua nação. Deve parar de ser egocentrista e se tornas mais sociocentrista. Deixar de ser consumista e se tornar mais humano.
            A Pós-Modernidade está se transformando em Pós-Humana. O ser humano está desaprendendo a ser humano. Se tornando plástico e isolado. Olhando para os seus próprios interesses e deixando de pensar no reflexo que aquilo terá para o outro ou até mesmo para as próximas gerações.
            Reclamamos de corrupção e grandes desvios e subornos, mas quando temos a oportunidade de o fazer fazemos. Ver alguém perdendo um dinheiro e ficar para si. “Molhar” a mão do guarda para liberar o carro ilegal. Dar um “troco” para o médico nos dar um atestado falso. Até chegar a oportunidade de carregar alguns milhões, desviar alguns milhões, embolsar alguns mil. “A ocasião faz o ladrão”.
             O que é mais falso e hipócrita? dizer: Não gosto de política, olha! O político roubando seus milhões! E chegar à rua e “molhar” a mão de um. Ou até mesmo dizer: Se eu pudesse faria justiça! E ver a injustiça ser feita e ficar calado quando se poderia intervir diretamente.
            Da mesma forma que a ocasião faz o ladrão o justo faz a justiça.

“A justiça é somente cega. Cabe ao justo a guiar.” 

por M. Thalita


Tirinha - Alienação


Imagem - Paulo Freire - Educação


terça-feira, 27 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012